quarta-feira, 25 de março de 2015

Uma doença sem nome, já chamada de 'misteriosa' deixou de ser caso restrito dos prontos socorros locais
Uma doença sem nome, já chamada de 'misteriosa' deixou de ser caso restrito dos prontos socorros locais
Médico diz à paciente que atende por dia aproximadamente 15 pessoas com os mesmos sintomas
Nesta terça-feira (24), uma notícia veiculada pelo jornal A Tarde, surpreendeu e alertou grande parte da população camaçariense. Uma doença sem nome, já chamada de “misteriosa” deixou de ser caso restrito dos prontos socorros locais. Na tentativa de esclarecer ainda mais o caso, nossa repórter conversou com vítimas da doença.
Jônatas Sales
Jônatas Sales
O bancário Jônatas Sales, 26 anos, contou que foi acometido da doença na segunda-feira da semana anterior (16) e os sintomas não são diferentes: febre alta, dor muscular e manchas na pele. “No segundo dia (terça) quando as manchas começaram a aparecer e coçar muito (como uma queimadura de água viva) eu procurei o médico. Apesar dele ter feito exame de sangue, nada foi constatado. O doutor me passou um antialérgico que me fez melhorar, mas logo voltou tudo novamente. Tive que voltar lá novamente para ele receitar uma dose mais forte e agora graças a Deus estou bem”, conta o bancário.

Sales que é morador do bairro do Gleba A, disse ainda que no mesmo período um vizinho também sofria com a doença. Por enquanto, apenas Sales ficou enfermo em sua casa, contudo, pouco tempo depois, sua noiva apresentou os mesmo sintomas. “Ela também foi ao médico e nada. O próprio doutor falou que por dia ele atende aproximadamente 15 pessoas com o mesmo estado clínico. Eles suspeitavam de Sarampo, Dengue, Chikungunya, mas os exames deram negativos”, relata.
Ana Paula Veloso
Ana Paula Veloso
A universitária, Ana Paula Veloso, 25 anos, moradora de Camaçari de Dentro é outra vítima da doença. Com os mesmos sintomas apresentados por Sales, ela declarou que mais amigos contraíram a doença e sua mãe apresentou um dos sintomas iniciais. Depois de procurar a rede hospitalar do município, tanto pública quanto privada, e nada ser constatado, além de reação alérgica ou virose ser diagnosticada, a estudante usou a rede social Facebook para mostrar sua indignação. “Eu me senti impotente. Busquei ajuda e não obtive uma resposta. Não tive um diagnóstico preciso. Voltei pra casa com mais dúvidas e mais assustada”, descreve Veloso.
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Mural de Recados

Outra vítima entrou em contato com o Camaçari Fatos e Fotos (CFF), através do Mural de Recados. Em desabafo descreveu: “Venho falar da minha indignação com o atendimento e descaso, com o qual estamos sendo tratados na UPA da Bomba. Várias pessoas estão procurando a unidade para ser atendida devido aos mesmos sintomas. Sem resultado, procurei uma clínica particular e para minha surpresa fui diagnosticada com dengue do tipo A. É um absurdo! Acho que deveria ser feita uma vistoria nas UPAS ou UBS, para verificar qual o objetivo de não se realizar exames. Estamos a cada dia mais abismados com esse tipo de atitude”, conclui.

Primeiros Casos

Segundo o diretor da Vigilância Epidemiológica, Celso Joélio, na entrevista concedida ao A Tarde, os 18 primeiros casos foram registrados no dia 10 de fevereiro nos bairros Gravatá, Cristo Redentor, Alto da Cruz e Parque das Mangabas. Metade deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Gravatá e os outros no Hospital Geral de Camaçari.

Ainda não se sabe a forma de transmissão, se é feita pelo Ar ou através da água. O CFF procurou o Secretário de Saúde para se pronunciar a respeito, porém não obteve retorno até o momento desta publicação.

Em nota divulgada em instantes, a prefeitura afirmou estar reunindo "todos os esforços" para identificar a doença. "A Secretaria da Saúde (Sesau), através da Vigilância Epidemiológica, está atenta e investigando a causa da doença que tem evolução benigna e não resulta em nenhum outro problema à saúde", diz.

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