quinta-feira, 26 de março de 2015

BRASIL

 Para Jaques Wagner, crise atual lembra o mensalão

Foto: Divulgação
Ministro da Defesa, Jaques Wagner
Um dos mais próximos ministros da presidente Dilma Rousseff, Jaques Wagner, da Defesa, compara a atual crise política à vivida por Luiz Inácio Lula da Silva em 2005. “Eu já vivi momentos, não iguais, mas semelhantes, seja pessoalmente, seja no governo do ex-presidente Lula. Não sei se números (das pesquisas de aprovação do governo) eram iguais. Mas eram situações ruins, difíceis, e ele (Lula) ganhou a eleição (em 2006). Ela (Dilma) está terminando o terceiro mês de 48 (meses). O fato é que muita água ainda vai passar debaixo desta ponte”, disse Wagner, em viagem à Amazônia, na terça-feira, 24. Sempre que conseguia sinal no telefone, o ministro da Defesa tentava se comunicar com Brasília, para acompanhar os desdobramentos de mais um dia de tensão em negociações com o Congresso, no qual o governo sofreu nova derrota referente às dívidas dos Estados. Wagner inaugurou um destacamento da Aeronáutica em Eirunepé, a 1.100 quilômetros de Manaus, acompanhou o trabalho de ação social das Forças Armadas na região e voou de helicóptero em Porto Velho. Entre os compromissos, concedeu esta entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. Perguntado se o País vive, de fato, um “caos político” como diz a análise interna da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Wagner retruca dizendo já ter vivido momentos, não iguais segundo ele, mas semelhantes, seja pessoalmente, seja no governo do ex-presidente Lula. “Não sei se números (das pesquisas) eram iguais. Mas eram situações ruins, difíceis, e ele (Lula) ganhou a eleição (em 2006). Ela (Dilma) está terminando o 3º mês de 48 (meses de 2.º mandato). A pesquisa sempre é a fotografia da conjuntura (62% dos brasileiros consideram o governo Dilma ruim ou péssimo, segundo o Datafolha)”. Prega que é necessário ter paciência, foco, perseverança, porque, diz, quando bate o desespero, aí vem o caos, aí não se consegue organizar para superar o momento. E vaticina: “muita água ainda vai passar debaixo desta ponte”. Lembrado de que, no momento, só se tem notícia ruim, o ministro justifica dizendo que a comunicação vai mal, mas que não gosta, entretanto, de apontar um único culpado. “Estamos juntando três elementos que levaram a este número das pesquisas: denúncias de corrupção, aperto fiscal e tensão na base, que estão sendo superadas”. Apesar disso, repete que, com paciência, com diálogo com a sociedade e com o Congresso Nacional, com aprovação do ajuste, é possível ultrapassar isso. E volta a dar novo prognóstico: “Têm muito chão para andar.” Com este quadro negativo vem a dúvida sobre as chances do PT para 2018, considerando as passeatas nas ruas. Seria a Volta com Lula de novo?, questiona a reportagem. “Aí é futurologia. Lula continua sendo o candidato mais forte que o PT tem, isso está em qualquer pesquisa que quiser ver. Faltam 3 anos e 9 meses para as eleições. Está muito longe para as eleições e campanha política de médio e longo prazo não funciona assim. Uma coisa é uma análise racional. Outra coisa é a eleição, que é um momento emocional para a maioria da população.”
Tânia Monteiro, Agência Estado

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