quinta-feira, 2 de junho de 2016

BRASIL Para Cardozo, acelerar calendário de votação do impeachment é ‘agredir direito de defesa’

Foto: José Cruz/Agência Brasil
O ex-advocado-geral da União, José Eduardo Cardozo
O ex-advocado-geral da União, José Eduardo Cardozo, afirmou nesta quinta-feira, 2, que a proposta de antecipar o calendário da votação do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff fere o direito de defesa. “Estão atingindo brutalmente o direito de defesa. Estão inclusive impedindo a produção de provas em questões centrais para a defesa”, afirmou. “O que querem que a gente faça, que nos ajoelhemos?”, criticando a decisão de Antonio Anastasia de não incluir na defesa os áudios do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado com os ministros do governo em exercício. Mais cedo, o presidente da Comissão Especial do Impeachment, Raimundo Lira (PMDB-PB), aceitou uma questão de ordem da senadora Simone Tebet (PMDB-MS), que encurtou os prazos do processo de impeachment em relação ao cronograma sugerido na última semana. A decisão do presidente da comissão de aceitar a questão de Simone gerou bate-boca entre os parlamentares. Lira fez então um acordo com os aliados de Dilma, que concordaram em apresentar um recurso ao presidente Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, que coordena o processo, ainda nesta quinta-feira. Diante disso, a comissão ainda não aprovou o cronograma e aguarda a decisão de Lewandowski. Cardozo, que é o responsável pela defesa de Dilma, disse que ainda não está definido se a presidente afastada fará pessoalmente a sua defesa. Se o novo cronograma for aprovado, Dilma poderá ser interrogada no próximo dia 20. O ex-ministro disse ainda que vai aguardar a decisão do Supremo para entrar com recurso contra a decisão do novo cronograma. “Em uma situação de poucas horas o pisoteio do direito de defesa foi descomunal”, afirmou.
Estadão

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