ECONOMIA
Sobrepreço virará perda na Petrobras
Foto: Marcos de Paula
A modelagem encontrada pela nova direção da Petrobras para registrar no balanço as perdas decorrentes de atos de corrupção levará em conta os sobrepreços verificados nos projetos listados na investigação da Operação Lava Jato. Dessa forma, segundo apurou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, foram contabilizados os valores iniciais de cada projeto e os acréscimos ao longo da obra. Ponderadas as justificativas, o valor final indica o eventual superfaturamento. De um modo geral, esse cálculo de impairment – atualização do valor dos ativos, excluindo o superfaturamento – dará a dimensão da perda acarretada para a companhia. Ou seja, quanto valeria a obra se não tivesse sido inflada em negociações suspeitas. A metodologia já foi até apresentada a conselheiros pelo diretor financeiro da estatal, Ivan Monteiro. A Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, por exemplo, foi inicialmente orçada em US$ 2,3 bilhões. Depois de sucessivos aditivos ao contrato inicial, a obra acabou chegando a US$ 20 bilhões. O então diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa – personagem central do escândalo de corrupção e que virou o principal delator da investigação da Lava Jato – era o responsável pelo acompanhamento dos projetos de refino e tinha autonomia para autorizar os aumentos de custo. Costa disse, em depoimento, que as propinas pela facilitação dos contratos variavam entre 1% e 3% das obras.
Estadão
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