BRASIL
Galvão Engenharia, envolvida na Lava Jato, pede recuperação judicial
Foto: Divulgação
Companhia terá um prazo para apresentar um plano para organizar as finanças e pagar os credores
Depois de meses de tentativas frustradas para levantar dinheiro no mercado e tocar os negócios, o Grupo Galvão entrou, na quarta-feira, 25, com pedido de recuperação judicial das empresas Galvão Engenharia e Galvão Participações. A companhia, que ocupava a sexta posição no ranking de construtores no Brasil, está envolvida na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, e negocia um acordo de leniência com a Controladoria-Geral da União (CGU) ao lado de grupos como OAS, Engevix, SOG Óleo e Gás e SBM Offshore. A recuperação judicial é uma medida legal para evitar a falência de uma empresa. Se aceita pelo juiz, a companhia terá um prazo para apresentar um plano para organizar as finanças e pagar os credores. O pedido feito ontem, na Justiça do Rio de Janeiro, não inclui as subsidiárias CAB Ambiental, Galvão Óleo e Gás, Concessionária de Rodovias Galvão BR-153 e Galvão Finanças. Apesar disso, algumas dessas empresas estão sofrendo reflexo da operação que investiga corrupção em contratos da Petrobras e também podem ter graves prejuízos. No caso da CAB, empresa de saneamento, a agência de classificação de risco Fitch Rating rebaixou a nota das debêntures da empresa; e, na BR-153, a Galvão não conseguiu o empréstimo-ponte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para iniciar as obras de duplicação de 10% da estrada, como previsto em contrato. Se não cumprir as regras, no limite, a empresa pode perder a concessão da rodovia, de 624 quilômetros leiloada pelo governo federal em 2014. A via-crúcis do grupo começou com a sétima fase da Operação Lava Jato, desencadeada na primeira quinzena de novembro. Foram presos executivos de várias construtoras, como Camargo Corrêa, OAS, Mendes Júnior, UTC, Engevix, Queiroz Galvão e Galvão Engenharia. Imediatamente as agências de rating rebaixaram as notas das empreiteiras e o crédito secou. Além disso, os pagamentos da Petrobras foram paralisados.
Renée Pereira, Agência Estado
Nenhum comentário:
Postar um comentário