EXCLUSIVAA centralidade do vice de Neto, por Raul Monteiro
Foto: Divulgação/Agecom
Com a filiação do secretário municipal de Educação, Guilherme Bellintani, ao PPS, praticamente fecha-se o círculo dos nomes que estão partidariamente habilitados a disputar a indicação para vice na chapa com que o prefeito ACM Neto disputará a reeleição, em 2016. Antes dele, outros secretários do prefeito que também se apresentam como alternativa para a indicação já haviam feito o mesmo movimento, escolhendo partidos que integram a coalização governista para se filiar. O primeiro deles foi o secretário da Promoção da Igualdade, Bruno Reis, que tomou, no entanto, a iniciativa há dois anos, em 2013, quando era deputado estadual pelo PTN, ingressando no PMDB.
Do ano passado para cá, pelo menos dois secretários com forte potencial para entrar na disputa da vice trilharam o mesmo caminho. Luiz Carrera, chefe da Casa Civil, que começou sua carreira política no DEM, pelo qual chegou a eleger-se deputado federal, anunciou filiação ao PV, e Sylvio Pinheiro, secretário municipal de Urbanismo, um advogado que nunca teve militância partidária, filiou-se em ato festivo em 2014 ao Solidariedade. Neste particular, Sylvio assemelha-se a Bellintani, também um advogado, mas com marcada atuação empresarial, cuja primeira experiência no setor público é devida ao prefeito, exatamente como a do titular da secretaria municipal de Urbanismo.
Não custa lembrar que, no campo de reserva, há dois atentos observadores da cena circundante a ACM Neto que, por estarem até o momento no DEM, mesmo partido do prefeito, deixaram temporariamente de se constituírem como players para a empreitada do vice. São eles João Roma, secretário particular do prefeito, e o ex-governador Paulo Souto, escolhido pelo prefeito para assumir a cobiçada secretaria municipal da Fazenda. Como os demais, são nomes da preferência de ACM Neto para transformar-se eventualmente em companheiros de chapa sob pelo menos uma condição preliminar: a de que o prefeito esteja forte o suficiente para tirar um deles da bolsa do colete.
É consenso, no grupo do gestor e mesmo entre seus adversários, de que, se em 2016 ele estiver forte como se encontra hoje, quando pesquisas apontam quase 50% de intenções de voto em sua reeleição, Neto poderá escolher quem quiser para a vice entre os nomes que cuidadosamente alocou nos diversos partidos que lhe dão sustentação política sem a necessidade de cooptar quadros de fora do grupo para vencer a eleição. A escolha traveste-se ainda de uma característica peculiar: ser eleito vice significa praticamente um passaporte para o cargo de prefeito num prazo de dois anos, já que ACM Neto planeja renunciar ao cargo para disputar a sucessão estadual de 2018.
Neste cenário, em que a jogada sucessória subsequente ficará tão explícita, é natural que o candidato a vice assuma uma centralidade na campanha quase equivalente à do próprio prefeito. Afinal, o eleitorado disposto a votar em Neto com certeza exigirá saber previamente com quem ele pretende deixar a cidade a fim de se candidatar ao governo, aumentando imensamente a responsabilidade da sua escolha pelo prefeito. A princípio, é possível antecipar que o critério de confiança do prefeito no escolhido, sob suas várias nuances, deve sobressair. Mas existem outros igualmente importantes de que ele se utilizará para fazer a opção, os quais deverão ser providos pelo cenário eleitoral do momento e, claro, as pesquisas.
* Artigo publicado originalmente na Tribuna da Bahia
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