sexta-feira, 21 de agosto de 2015

BRASIL

Temer quer deixar articulação política, mas vai aguardar crise com Cunha esfriar

Foto: Dida Sampaio/Estadão
O presidente da Camara dos Deputados, Eduardo Cunha com o vice-presidente Michel Temer
Quatro meses após assumir a articulação política do Palácio do Planalto, o vice-presidente Michel Temer pretende deixar essa tarefa. Temer avalia, no entanto, que pode esperar um pouco para que o desembarque não seja visto como mais um fator de instabilidade política, logo após a denúncia contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acusado pela Procuradoria Geral da República por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Temer conversou com Cunha nesta sexta-feira, 21, em São Paulo. O presidente da Câmara garantiu que não renunciará, mas avisou que passará a defender “com vigor” o rompimento do PMDB com o governo Dilma Rousseff. Não foi surpresa: dias antes de ser denunciado, Cunha já tinha dito a Temer e a líderes do governo que não cairia sozinho. Aborrecido com “olhares enviesados” de petistas, após fazer um apelo pela reunificação nacional, e pressionado pelo PMDB, partido que comanda, Temer não definiu a data de saída da articulação política, mas já disse a amigos que o trabalho tem “prazo de validade”. Oficialmente, o argumento do vice é o de que havia se comprometido a fazer a articulação do Planalto com o Congresso até a votação das medidas do ajuste fiscal e o último projeto, que reonera a folha de pagamento das empresas, foi votado na quarta-feira. Braço direito de Temer, o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha (PMDB), também pretende sair da articulação política do governo e se dedicar exclusivamente à sua pasta. Padilha está insatisfeito há tempos por considerar que vem sendo sabotado pelo PT, mas ficou furioso após ter sido desautorizado pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, nos últimos dias. A crise ocorreu porque Padilha havia prometido a líderes de partidos aliados liberar R$ 500 milhões para pagamento de emendas parlamentares, mas, na última hora, Levy entrou em cena e proibiu o desembolso. Na quarta-feira à noite, o ministro da Comunicação Social, Edinho Silva, procurou Temer e Padilha, na tentativa de desfazer o mal-estar. Até agora, ninguém no governo arrisca um palpite sobre o desfecho da crise com o PMDB.
Estadão

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