Na briga por votos, Prates ‘vira’ Câmara e tucano adota silêncio
Protagonistas de uma disputa interna na base do prefeito ACM Neto pelo comando do Legislativo de Salvador, vereadores adotam estratégias diferentes
Protagonistas de uma disputa interna na base do prefeito ACM Neto pelo comando do Legislativo Soteropolitano, os vereadores Léo Prates, líder do DEM na Casa, e Paulo Câmara (PSDB), atual presidente, traçam estratégias diferentes na disputa por votos.
Prates tem anunciado publicamente os apoios que recebe, sempre com fotos de reuniões com os aliados. O democrata já informou recentemente a adesão de três vereadores do PV – de uma bancada de quatro – do vereador Geraldo Júnior (SD), e do seu próprio partido. Dos seis vereadores eleitos pelo Democratas na Casa (inclusive o próprio Prates), apenas Duda Sanches apoia a reeleição do tucano, pelo menos em princípio.
Também já se sabe que Câmara tem ao seu favor os vereadores Alfredo Mangueira (PMDB) e Marcelle Moraes (PV). Porém, ele vai na contramão de Prates e age nos bastidores, sem anunciar aliados até o momento. Sempre que questionado sobre a eleição para a Mesa Diretora, tem a mesma resposta na ponta da língua: “Só trato do assunto em dezembro”.
A postura contrasta com o que fez o próprio Câmara em eleições anteriores. No final de 2014, em campanha pela reeleição no comando da Casa, o presidente da CMS divulgava sempre os apoios dos partidos, a pelo menos dois meses do pleito.
A estratégia de Prates tem propósitos claros: com anúncios sucessivos de apoios firmados, o democrata pretende causar uma espécie de “efeito manada”: mostrar aos indecisos, e até mesmo aos vereadores pouco simpáticos a ele pessoalmente, o crescimento da sua candidatura e, assim, atraí-los.
Como o presidente da Casa tem a caneta, como se diz no jargão político, muitos vereadores só querem “trocar de lado” caso tenham a certeza de que escolheram o postulante vencedor e, com isso, não seriam “retaliados” em uma eventual reeleição de Câmara.
Após o prefeito deixar claro que vai trabalhar por uma candidatura única para evitar possíveis rachas na sua base, aliados apostam que um bate-chapa seria difícil. Uma secretaria ou cargo de direção em algum órgão da administração poderiam ser oferecidos como um tipo de “compensação” a quem desistisse da briga pelo comando da CMS.

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