terça-feira, 6 de março de 2018

 Intervenção faz Alckmin reforçar tema da segurança

Foto: André Dusek / Estadão
Geraldo Alckmin
A intervenção anunciada pelo presidente Michel Temer na segurança do Rio levou o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), a eleger o tema como foco de sua campanha ao Planalto. A medida antecipou um discurso que já estava pronto para a eleição – que tentará convencer o eleitor de que o tucano é o presidenciável mais experiente na área e possui dados relevantes a mostrar. A decisão de Temer também precipitou a produção de uma propaganda institucional do governo do Estado, que passou a ser veiculada no sábado. “Eu vou puxar o debate da segurança pública. Esse é o problema no Brasil do Oiapoque ao Chuí. O combate ao crime é permanente”, disse o tucano nesta segunda-feira, 5, em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, durante palestra para empresários e políticos. O governador voltou a defender a criação de uma agência de inteligência para combater o tráfico de armas e de drogas nas fronteiras. Com este discurso, Alckmin procura disputar com Temer e o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), também pré-candidato, pelo protagonismo no tema da segurança pública. Apesar de o Estado reunir bons resultados nas estatísticas de crimes violentos – como a redução da taxa de homicídios em São Paulo à menor do País –, os números dos chamados crimes contra o patrimônio se mantêm numa taxa elevada e os salários dos policiais militares estão entre os mais baixos do País, o que revela uma realidade menos positiva do que a que o governo procura veicular. Desde o ano passado, o tucano carrega com ele um quadro que compara as médias paulista e nacional referentes à taxa de assassinatos. Segundo a gestão Alckmin, ambas estavam na casa de 30 casos para cada grupo de 100 mil habitantes em 2003. Hoje, pelos dados do governo, o Estado registra 7,5 homicídios para cada 100 mil pessoas, enquanto o restante do País mantém o nível de 15 anos atrás. O entorno do governador paulista justifica a campanha na TV e no rádio como uma necessidade para “tranquilizar” a população do Estado sobre a realidade “diferente do Rio”. A bandeira é vista ainda como uma boa estratégia para projetar o nome do governador paulista no Nordeste, onde a escalada da violência transformou Sergipe, Rio Grande do Norte e Alagoas nos Estados mais perigosos do País, com taxas de homicídios entre 55 e 64 para cada 100 mil habitantes.

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