Operador de Bendine diz que Joesley o apresentou ao doleiro Funaro
Foto: Wilton Junior e Paulo Giandalia/Estadão
Bendine e Joesley
Preso na Lava Jato, André Gustavo Vieira, apontado como operador de propinas de Aldemir Bendine, afirmou, em depoimento à Polícia Federal, que foi apresentado ao doleiro Lúcio Funaro pelo executivo da JBS Joesley Batista. Quebra de sigilo telefônico do celular de André revela pelo menos 59 ligações para Funaro, aliado do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e preso desde 2016 na Operação Sépsis. André Gustavo ainda alegou ter recebido R$ 3 milhões em dinheiro vivo da Odebrecht em troca de uma consultoria à construtora que envolveu tratativas com Bendine, mas negou ter passado o dinheiro ao ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras. André também foi pego pela ‘Cobra’, fase 42 da Lava Jato, investigado por supostamente operacionalizar o repasse de R$ 3 milhões em propinas da Odebrecht a Bendine, preso na última quinta-feira,27. Lúcio Funaro, com quem manteve contato frequente por dois anos, foi preso na Operação Sépsis, no dia 1.º de julho de 2016, com base na delação de Fabio Cleto, ex-vice presidente de Fundos e Loterias da Caixa. De acordo com as investigações, inicialmente, ainda na presidência do Banco do Brasil, Bendine teria pedido R$ 17 milhões de propinas em troca da facilitação da rolagem de uma dívida da Odebrecht Agroindustrial. A nova cobrança, de R$ 3 milhões, teria sido feita à época em que Bendine já estava à frente da Petrobrás, em 2015. Um dos supostos responsáveis pela operacionalização do repasse teria sido André Gustavo. Sobre os R$ 17 milhões, o suposto operador de Bendine disse ter acertado consultoria à empreiteira apalavrada com o ex-presidente da Odebrecht Ambiental, Fernando Reis, após ouvir do executivo que ‘a Odebrecht era vítima de má vontade em muitos casos no Banco do Brasil’, que a Agroindustrial, empresa do grupo, era vista já como ‘empresa problema’ e que dependia de ‘liberação de alguns assuntos dentro do Banco do Brasil’. Ele alega que teria feito o acordo com Fernando Reis, da Odebrecht Ambiental, para a prestação de serviços como consultoria para resolver a questão junto ao Banco do Brasil com remuneração de 1% ad exitum. De acordo com André Gustavo, ele foi autorizado pela Odebrecht a tratar do tema com Bendine, e chegou a pedir uma reunião com o ex-presidente do banco. Segundo André, em meio aos supostos serviços prestados, Marcelo Odebrecht teria questionado o valor cobrado de sua consultoria, que acabou sendo reduzido em R$ 3 milhões, ao final das tratativas. ‘Perguntado’ pela PF ‘porque aceitou a receber em dinheiro, de forma oculta, sem emissão de recibo, com emissários e indicação de senhas ‘OCEANO, RIO E LAGOA’, André teria dito que ‘isso era um hábito da Odebrecht de pagar a todos desta forma e muitas vezes não davam opção às pessoas; que gostaria de destacar que a tentativa de receber de forma legal está caracterizada pela emissão de notas fiscais’.
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