terça-feira, 15 de setembro de 2015

Prefeito de Camaçari, Ademar Delgado (PT)
Prefeito de Camaçari, Ademar Delgado (PT)
Um papo aberto e, digamos, sereno. Pode ser assim encarada a entrevista concedida com exclusividade pelo prefeito de Camaçari, Ademar Delgado, ao Camaçari Fatos e Fotos. De forma franca, o alcaide teceu a linha que tem regido sua gestão de pouco mais de dois anos e meio a frente do município, os desafios de 'administrar com coerência a coisa pública' e o seu futuro político. Como não poderia deixar de ser, tocou no assunto ‘Caetano x Ademar’ e desabafou: “Sou um prefeito com 2 anos e 8 meses de governo e, as vezes, sou comparado com prefeitos que tiveram 11, 12, 15 anos”. Confira a entrevista na íntegra...
Camaçari Fatos e Fotos - Sua avaliação da gestão até aqui

Ademar Delgado - Tenho feito o que é possível diante da escassez de recursos e das possibilidades temporais. Eu sou um prefeito que tenho 2 anos e 8 meses de governo e, as vezes, eu sou comparado com prefeitos que tiveram 11 anos, 12 anos ou 15 anos. Quer dizer, uma comparação injusta. Tem lugares por aí, que eu tenho mostrado, que o que nós fizemos já foi superior a qualquer um desses governos. Então, essa é a minha avaliação, que nós já fizemos tudo que era possível, mas temos muito por fazer.

CFF - Então o senhor aprova pela proporção do tempo a sua gestão…?

AD 
- Sim.

CFF - É candidato a reeleição? 

AD Hoje eu sou candidato a concluir o meu mandato. Em 2015 não trato de reeleição. Em 2016 sim, pois eu tenho o direito constitucional e eu tenho a preferência...

CFF - E sua virtual ida para o PSB?

AD Não existe. Não sairei do PT. O PSB é um partido que eu respeito, mas não sairei do PT.

CFF - No que Ademar acertou e no que Ademar considera que errou?
AD Eu acho meio extemporâneo a gente fazer uma avaliação de erros e acertos. Eu acho que a quem cabe fazer essa avaliação é a população, porque eu sou empregado da população.

CFF - No quesito relacionamento político, há algo que o senhor faria diferente se pudesse voltar no tempo?

AD Dialogar mais com a sociedade, com as entidades organizadas, com os partidos políticos e com as classes políticas.

CFF - Por que o senhor não dialogou nesse tempo?

AD Porque, como a minha formação foi mais de gestor, eu fiquei muito tempo preso na gestão, cuidando da gestão.

CFF - O senhor não fez nenhuma reforma no corpo da gestão, até aqui mudando apenas algumas peças, teria sido isso um erro?
AD Se eu tivesse uma premunição do desdobramento político que veio a acontecer, eu teria começado a gestão sem ser com o espÍrito da continuidade, porque o nosso governo foi um governo de seguimento, onde nós demos seguimento a um governo anterior existente.

CFF - O senhor disse a mim, Antonio Franco Nogueira, quando assumiu, que estava tranquilo em termos econômicos e que não iria fazer duas coisas: uma, era comprometer o patrimônio da sua família. E a outra seria não comprometer o patrimônio público com má gestão. O senhor está conseguindo fazer isso?

AD Esse é um princípio de vida, que adoto durante a minha vida. Tratar da coisa pública com seriedade, com zelo e não misturar o que é público com o privado. Então, eu não coloquei os recursos públicos a serviço da minha família, nem a familiares e amigos. Essa é minha luta cotidiana, com todos os servidores da prefeitura, pra que a gente aplique o recurso público a serviço da comunidade.

CFF - Saúde. O que nesse setor está bom e o que não está bom, e por quê?
AD A saúde nesses últimos meses, eu não tenho recebido críticas. Sobre tudo, a partir da inauguração da UPA da Gleba A, nós tivemos um avanço significativo. O grande problema nosso estava no Hospital Geral, que deu uma melhorada. Estive fazendo uma visita; e nós conseguimos melhorar bastante; inclusive uma grande reivindicação da comunidade, que é a maternidade, já está em andamento. E o compromisso que fiz com o governo do Estado, que é o município é que vai mantê-la.

CFF - Considera boa a Educação na sua gestão, até aqui?
AD Eu acho que a educação está bem. Agora, tudo precisa melhorar e avançar. Nós, por exemplo, tínhamos algumas reclamações com a merenda escolar, ultimamente não tenho recebido nenhuma reclamação. Então, eu tenho sentido que houve uma melhora significativa, na medida que eu não tenho recebido reclamações, mas, vou repetir, cabe a população julgar.

CFF - Segurança não é dever do município, mas à prefeitura entra com contrapartida, e uma das contrapartidas, desde a gestão passada e agora reforçada na sua gestão, são as câmeras de segurança, mas não se tem histórico de solução de crimes através dessas câmeras. Por que acontece isso?
AD As câmeras, primeiro, são muito poucas e as que nós temos hoje funcionando é a partir da Base Comunitária. Mas, nós estamos com essa perspectiva de que as câmeras podem melhorar. A segurança é um dos grandes problemas que nós temos no momento, e eu diria que não é só na Bahia, é no Brasil e quiçá também o mundo. É um problema sério, e nós fazemos parceria com o governo do Estado, dando apoio com viaturas e combustível. Enfim, nós temos feito o que é possível, reivindicando e cobrando. Mas é um problema sério que o governo do Estado está enfrentando e eu espero que nós consigamos melhorar a segurança púbica de Camaçari e da Bahia.

CFF - Consegue dar uma previsão do que fará nesse resto de governo, por todos os setores?

AD Temos algumas obras, que estamos em processo licitatório, estamos trabalhando projetos para fazer a licitação e fazer o contrato que representarão alguns investimentos. Nós estamos trabalhando em processos licitatórios através de um financiamento que fizemos junto ao Desenbahia, onde vamos pavimentar 137 ruas de saída; temos algumas obras importantes com recursos que nós contratamos junto ao PAC, onde também espero que a gente consiga fazer; temos esse ano pra entregar 6.292 unidades de habitação; temos a obra do Rio, que nós estamos com a primeira fase, conseguimos destravar; e agora, na segunda fase, estamos enfrentando problemas para poder destravar, mas estamos trabalhando muito pra resolver. Enfim, nós temos muita coisa ainda pra fazeri acontecer. Agora, infelizmente no Brasil, hoje, nós temos um processo burocrático muito grande, o que, as vezes, pelo desgaste de tempo não nos ajuda, mas nós estamos trabalhando para romper esse processo burocrático e fazer o que temos por fazer. Espero que até o final do nosso mandato nós consigamos realizar tudo o que temos planejado para que a população possa fazer o julgamento na hora e no tempo correto.

CFF - Sabe-se que é uma obrigação do Estado, mas a estrada Jacuipe – Monte Gordo. assim como a estrada 'da Cetrel', está uma lástima. Tem alguma mensagem para aquela comunidade e para quem trafega por elas, já que o partido é mesmo, do senhor e do governador?

AD Quero dizer o seguinte, na parte que é do município nós já tapamos todos os buracos, na parte que é do Estado nós temos reivindicado. O governo do Estado, está com dificuldades também de ordem orçamentária financeira, nós temos quatro estradas aqui no município que são de responsabilidade do Estado: Jacuípe-Monte Gordo, Cetrel, Cascalheira e Estrada Velha de Monte Gordo. Então, houve até uma coincidência, com o pessoal de Monte Gordo: uma vez estava lá o vereador Wilton de Ferrinho, outra vez o Gilvan, onde o diretor de infraestrutura da secretária, o então diretor do Derba, disse que diariamente que eu o acordo, pois quando venho numa dessa estrada, eu ligo pra ele pedindo para recuperar. Agora reconheço as dificuldades do Estado, mais nós temos lutado, e conseguimos que fosse tapado os buracos da Cascalheira, que já está voltando alguns; na Cetrel já iniciou o tapa-buraco, mais deu uma paralisada, espero que nessa seja reiniciado a operação, bem como a duplicação da Tecsisaté à Ford; e nós já estamos reivindicando também uma intervenção lá, na Jacuipe-Monte Gordo, e eu creio que assim que concluir a Cetrel, entram lá. Espero. Pois nós estamos brigando pra que possa acontecer simultaneamente.

CFF - Caetano e Ademar....

AD O Caetano decidiu romper comigo, então nós hoje temos um problema político grande a ser administrado.

CFF - Possibilidade de reatamento?

AD Na política nós já vimos inúmeros casos, milhares de casos, de reatamento. É preciso que haja, digamos, um respeito mútuo, e eu tenho procurado fazer a minha parte, porque nos partidos políticos sempre há disputa, mas sempre há entendimento. Nós já vimos aqui alianças com quem praticamente seria impossível ser feito, aqui no município, e foram feitas. É é assim no Brasil inteiro. Vamos aguardar, o tempo é o senhor da razão.

CFF - Terminando hoje o seu mandato e não seguindo em frente com a reeleição, sentiria saudade de ser prefeito?

AD Sentirei saudade, obvio, pois fiz muita coisa boa para as pessoas. Mas terei a oportunidade de cuidar mais de perto da minha família e dos meus amigos. É uma situação... ser prefeito, pela responsabilidade que lhe traz, ocupa seu tempo, te afasta das pessoas mais próximas, mas quando a gente consegue realizar os sonhos das pessoas, fazer o benefício que atende uma comunidade, isso nos deixa muito feliz. Pois a razão de ser prefeito é atender as necessidades da comunidade e aplicar bem os recursos públicos, com seriedade e com zelo. Essa é a coisa que me move a ser prefeito.

CFF - Considera que tem uma relação boa com os parceiros do Legislativo?

AD Sim, tivemos um bom relacionamento, todos os projetos nosso, que encaminhamos a Câmara, foram aprovados; não tem um caso de um projeto que tenha sido rejeitado.

CFF - Mensagem para o funcionalismo, seus colegas de governo...
AD Sempre tive um ótimo relacionamento com o funcionalismo, agora, nesse exato momento, estamos num momento difícil, diante da crise econômica internacional, nacional e que afetou as receitas municipais; nós tivemos que tomar medidas duras, difíceis, porém necessárias, para evitar que aqui no município aconteça o que está acontecendo, por exemplo, no Rio Grande do Sul, onde os servidores estão recebendo em até quatro parcelas, o seu salário. Então, nós adotamos medidas para preservar os serviços essenciais, pra honrar o empregos, sobretudo dos menores, e não atrasar salários e não atrasar com fornecedores. Foram medidas preventivas que nós tivemos que adotar, para muitos até tardiamente, mais é que a gente sempre acreditava em uma recuperação da receita. E sempre cuidamos da coisa pública com muito zelo e nisso os servidores públicos são participes dessa história, porque quando veem que o seu líder age com seriedade com a coisa pública, ajuda o time. E foi por isso que a Firjan fez a avaliação nos municípios da gestão, fiscal e orçamentária, dos municípios do Brasil todo, e Camaçari foi a melhor avaliada da Bahia, porque conto com o apoio dos servidores públicos do nosso município.

CFF - O que tem a dizer aos parceiros, prestadores e fornecedores do município, que, pelo que se sabe, também terão sua 'participação de contribuição', com a redução de seus contratos, pelo menos os de maior envergadura...

AD Nós estamos na seguinte situação: nós decidimos adotar as medidas para preservar o serviços essenciais, pegando só um exemplo, Limpeza Pública e Saúde, pra não citar todos, e aí o que nós esperamos é que mesmo com a redução do ritmo, mas garantindo tudo aquilo que for feito, nós asseguraremos o pagamento em dia, como fizemos até hoje.

CFF - E para o povo de Camaçari...
AD A minha esperança é que o povo de Camaçari me compreenda, me entenda e me aceite do jeito que sou. Eu vim para o serviço público, não para me locupletar, não para beneficiar a mim e a minha família, eu vim para o serviço público para prestar serviços à população e isso é o que eu tenho feito todo dia da minha vida. É procurar aplicar com seriedade os recursos nos serviços públicos a serviço da população.

CFF - O Camaçari Fatos e Fotos deseja que Deus lhe abençoe.
AD Amém! E fico muito feliz por isso

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