quinta-feira, 17 de setembro de 2015

BRASIL

 Gilmar Mendes vota a favor de doações eleitorais de empresas

Foto: Dida Sampaio/Estadão
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta tarde que é “ingênuo” acreditar que a corrupção acabaria, com o fim do financiamento empresarial de campanhas políticas. “É ingênuo crer que a corrupção cessaria com o fim do financiamento privado”, disse Mendes, completando: “O dinheiro encontra caminhos”. Após mais de quatro horas expondo seu voto, Mendes votou contra o fim do financiamento empresarial de partidos e políticos, com isso, o placar pelo fim das doações eleitorais de empresas no Supremo está 6 a 2. O julgamento será retomado nesta quinta-feira, 17. Durante seu voto nesta tarde, o ministro ironizou o fato de o PT defender que as campanhas e partidos sejam financiados exclusivamente com dinheiro público, sugerindo que a legenda já se beneficia de dinheiro público por receber verbas oriundas do esquema de corrupção na Petrobrás. “Era bom lembrar que as empresas estatais são patrimônio público. Elas não podem ser assaltadas por grupos de pessoas. A rigor, temos que reconhecer, é um partido de vanguarda porque instaurou o financiamento público de campanha antes de sua aprovação”, criticou o ministro, em seu voto sobre financiamento empresarial de campanhas políticas. “O partido que mais leva vantagem na captação de recursos das empresas privadas agora, como madre Tereza de Calcutá, defende o fim do financiamento privado”, ironizou. A Operação Lava Jato, que apura um esquema responsável por desviar recursos da Petrobrás, foi lembrada diversas vezes por Mendes em seu voto. “O partido consegue captar recurso na faixa dos bilhões continuamente tendo como base os contratos de uma estatal do tamanho da Petrobrás – e só estamos falando da Petrobrás – e passa a ser o defensor, defende bravamente o julgamento da inconstitucionalidade da doação de empresas privadas. Fico emocionado em saber, me toca o coração”, disse. Mendes sustentou em seu voto que a adoção de um sistema de financiamento público de campanhas políticas serviria para “asfixiar a oposição”. Já a possibilidade de que pessoas físicas façam doações, nos termos do pedido na ação levada ao STF, criaria um sistema de “lavagem de dinheiro”. O entendimento do magistrado é que seria realizado um repasse dos valores a serem doados para campanhas para pessoas “lavarem” a doação. Leia mais noEstadão.

Nenhum comentário: