BRASIL Delator ligado a Dirceu diz que ajudou montar equipe de Lula
Foto: Henry Milleo/Gazeta do Povo
O ex-ministro José Dirceu, preso preventivamente pela Lava Jato
O operador de propinas e lobista do PT Fernando Moura – elo do ex-ministro José Dirceu (Casa Civil/Governo Lula) no esquema de corrupção na Petrobrás – confessou em sua delação premiada que participou de campanhas eleitorais do PT e citou, em especial a de 2002, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito pela primeira vez. Moura foi preso com Dirceu na Operação Pixuleco, desdobramento da Lava Jato, deflagrada no dia 3 de agosto.Em troca de benefícios da Justiça, Moura fez delação premiada. Seu papel era organizar eventos e levantar fundos. Segundo ele, como auxiliar do ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira, ajudou a montar a equipe de governo entrevistando indicados do partido. “Nas eleições de 2002, de igual forma, participou da campanha, em especial, para a campanha de José Dirceu e consequentemente do estão candidato Luiz Inácio Lula da Silva”, registra o termo de delação número 1 de Moura. “Nas eleições de 2002 organizou alguns almoços e jantares de apoio ao candidato a deputado federal José Dirceu, sempre com o objetivo de agregar simpatizantes e doadores de recursos para a campanha”, afirmou Moura, ouvido no dia 28 de agosto pela delegada de Polícia Federal Erika Miliak Marena, do Grupo de Trabalho da Lava Jato. Moura contou que, em novembro de 2002, quando Lula já estava eleito presidente da República, mudou-se para o apartamento de um amigo no hotel Blue Tree, em Brasília. “Porque já se sabia que José Dirceu ocuparia a Casa Civil da Presidência da República.” O lobista confessou que almejava a oportunidade de trabalhar no governo, mas Dirceu teria lhe dito que como “amigos” não deveria entrar para o governo. O ex-ministro teria dito que lhe ajudaria e o teria orientado a arrumar uma empresa “que ele ajudaria em nível de governo”. Conta o delator que, em seguinda, Silvio Pereira, então secretário-geral do PT, e o tesoureiro da legenda na ocasião, Delúbio Soares – condenado e preso no Mensalão – teriam sido convocados pelo recém-eleito presidente Lula “para apresentar as suas expectativas de participação no governo federal”. Silvio Pereira teria pedido a presidência da Empresa Brasileiro de Correios e Telégrafos e Delúbio a presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Moura diz ter ouvido de Silvio Pereira que Lula “rejeitou ambos os pedidos, dizendo que eles deviam continuar coordenando o partido, que não podia transferir todos os seus cargos para o governo”. “Silvio Pereira acatou o pedido do presidente Lula, enquanto Delúbio Soares se irritou profundamente com o fato, principalmente porque o presidente Lula disse a ele que ‘queria algo maior que ele’”, afirmou Moura.
Estadão
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