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sábado, 5 de janeiro de 2019

Professora denuncia ter sofrido racismo e xenofobia em aeroporto de Madrid

Stella Lima foi deportada após passar três dias confinada no Aeroporto de Madrid

[Professora denuncia ter sofrido racismo e xenofobia em aeroporto de Madrid]

A professora de geografia, Stella da Silva Lima, de 39 anos, relatou, em post no Facebook, o que passou ao ser impedida de ingressar na Espanha. Em conversa com o jornal, a educadora detalhou o caso, que, para ela, é exemplo explícito de racismo e xenofobia.
Stella foi deportada da Espanha no dia 29 de dezembro, após passar três dias confinada no Aeroporto de Madrid, onde desembarcou de Salvador no último dia 26. Ela viajou para a Espanha para visitar a irmã e o cunhado, que moram em Cantábria, no norte do país.
De acordo com o relato da professora, os agentes de polícia, responsáveis pelas três entrevistas feitas com Stella, foram “extremamente ríspidos” e não acreditaram que a educadora iria fazer turismo na Espanha. “A única pessoa que, de fato, acreditou em mim foi a defensora pública da Espanha, Vilma Benel”, disse.
Stella foi enviada de volta para o Brasil sob a afirmativa de que ela não preenchia os requisitos necessários para entrar no país. “Eu apresentei tudo. Eles mal olhavam [os documentos] e quando olhavam era com uma cara de dúvida. Eu fui inadmitida no território espanhol mesmo tendo todos os requisitos para entrar no país. A defensora pública falou que eu tinha mais requisitos do que era solicitado e que os agentes sabia disso”, contou a professora.
Para a professora, o conjunto dos fatos atestam que os agentes agiram com preconceito. “Desde o primeiro instante fui tratada com racismo e xenofobia. As principais perguntas eram essas: ‘você é solteira? você não tem filhos?’. Uma mulher negra, solteira e relativamente jovem viajando sozinha é mal vista na Europa”, relatou.
Ao chegar no Brasil, Stella recebeu a bagagem violada e amarrada por cordas, o que, para ela, foi mais uma humilhação. Eu voltei pela Air Europa e recebi minha bagagem com o zíper arrancado e amarrada de cordas. Eu não acreditei que fosse a minha mala. Eu passei por uma vergonha ainda maior no Aeroporto de Salvador, que foi sair do aeroporto com uma bagagem toda amarrada por cordas”, disse. A empresa aérea reteu a bagagem da professora durante o tempo em que ela ficou confinada em Madrid.
A professora disse ainda que defensora pública espanhola dá continuidade ao caso no país. No Brasil, Stella já entrou em contato com um advogado, mas ainda não entrou com uma ação sobre o caso contra as autoridades da Espanha

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