‘Pimentel é uma pessoa muito escorregadia’, diz Mônica
Governador de Minas, Fernando Pimentel
A empresária Mônica Moura disse em delação ao Ministério Público Federal (MPF) que o governador de Minas, Fernando Pimentel (PT), atuava como “chefe informal” e cuidava do orçamento da campanha de Patrus Ananias (PT) à prefeitura de Belo Horizonte em 2012. Segundo a delatora, a campanha de Patrus custou R$ 12 milhões, dos quais R$ 8 milhões foram pagos oficialmente e R$ 4 milhões em “valores por fora”. Mônica disse ter tido muitos problemas para pagar dívidas dessa campanha, sobretudo porque Pimentel era, nas palavras dela, “uma pessoa muito escorregadia”. “Foi uma campanha que eu tive muito problema com dinheiro. O Pimentel é uma pessoa muito escorregadia, muito difícil de lidar, ele marcava as coisas comigo e nem sequer aparecia, ele dizia que alguém ia entregar dinheiro para mim e essa pessoa não aparecia, aí eu ficava cheia de problema para resolver”, afirmou. A empresária contou que o orçamento da campanha foi fechado diretamente entre ela e Pimentel, no primeiro encontro que tiveram em Belo Horizonte para tratar dos trabalhos, em junho ou julho de 2012, já bem perto do período do horário eleitoral. Mônica disse que Pimentel falou durante a conversa que, desse total, “tinha que ter um valor por fora”. “A parte por fora, o Pimentel disse que ele assumia completamente”, afirmou a empresária. Segundo a delatora, esse primeiro encontro reuniu ela, Pimentel, João Santana, Patrus Ananias, Marcos Coimbra (do Vox Populi) e um assessor de Patrus que ela não lembrava o nome. “Em um determinado momento, Pimentel me chamou para uma sala do lado e conversamos sobre o orçamento, era uma campanha bem pequena, ele (Patrus) tinha dois a três minutos, o adversário (…) tinha um tempo enorme, e nós um tempinho assim ridículo”. A empresária narra que Pimentel “não tinha papel formal, mas atuava como chefe de campanha informal porque era ministro (do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior de Dilma Rousseff) e não podia atuar formalmente. Segundo ela, Pimentel ia a Belo Horizonte quase que semanalmente para a campanha, participava de comícios, jantares, reuniões. A empresária também contou que ela e o marido, o marqueteiro João Santana, só assumiram a campanha de Patrus porque foi um pedido pessoal da então presidente Dilma Rousseff. De acordo com Mônica, eles estavam cheios de trabalho, com muitas campanhas simultâneas. Ela também disse que o lucro da campanha de Patrus foi irrisório e que tiveram que fazer “contratos por dentro” e “contratos por fora” com seus fornecedores.
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