Rui e o resultado das eleições, por Raul Monteiro
Foto: Mateus Pereira/GovBA/Arquivo
Junto com PT, partidos aliados do governador elegeram 287 prefeitos
Presidente da Assembleia Legislativa e conhecedor dos mecanismos eleitorais como poucos na Bahia, o deputado estadual Marcelo Nilo (PSL) está na contramão de quem viu emergir das eleições municipais um sinal de preocupação para o governo Rui Costa (PT). Admite que o partido que comanda o governo, o PT, decresceu, de fato, em número de Prefeituras, que recuaram de 92, conquistadas em 2012, para 39, no último domingo. Mas contrapõe a estes números outros, muito maiores, a atestar, em sua avaliação, que o governo saiu amplamente vitorioso da disputa.
Marcelo se refere aos 287 prefeitos eleitos pelo conjunto dos partidos governistas, que hoje se encontram na base do governador, contra as 130 Prefeituras conquistadas pelas oposições entre os 417 municípios baianos. E bate pé firme de que, o melhor de tudo, é que foram vitórias em cidades importantes e significativas eleitoralmente, a exemplo de Ilhéus, Guanambi, Senhor do Bonfim, Irecê, Paulo Afonso, Teixeira de Freitas, Porto Seguro, Candeias, Santo Antonio de Jesus, Cruz das Almas, Lauro de Freitas, Ribeira do Pombal e Jequié, para ficar em algumas.
De fato, pelos números frios, se a sucessão estadual fosse antecipada para janeiro, quando os novos prefeitos tomam posse, e a conquista de Prefeituras fosse definidora da eleição ao governo, o governador não teria do que se preocupar, já que tem mais da metade dos municípios sob o controle de partidos da sua base. Mas é exatamente aí que mora o problema. Primeiro, porque não é assim, literalmente, que o jogo é jogado no plano político e eleitoral. Segundo, porque, dez anos depois de ter assumido o governo na Bahia, o PT perdeu, de fato, muita musculatura.
E, com o enfraquecimento, pelas várias razões que já se conhece, o petismo viu esgarçar-se qualquer perspectiva de retomar o protagonismo que já exerceu, mesmo sem dispor de hegemonia numérica, por causa do controle da máquina estadual. Em outras palavras, num momento de declínio evidente de seu partido, tanto nacional quanto localmente, o governo de Rui Costa, apesar de bem avaliado pela população e do prestígio pessoal do governador, nunca esteve tão dependente de aliados que são, em essência, governistas, isto é, comungam de uma única ideologia, a de estarem no governo, qualquer que seja ele.
Por este motivo, embora não haja no momento motivo para “um Deus nos acuda” nas bandas governistas, sem dúvida os desafios do governador para manter a base coesa e impedir que se sinta atraída pelo projeto oposicionista do prefeito ACM Neto (DEM) não serão pequenos a partir de agora. Sua força dependerá naturalmente da manutenção do nível de sua popularidade e da boa avaliação de sua administração, que, se hoje está em patamares que não o preocupam, não significa que não precise de vários ajustes. Mas não só disso. Sem uma boa operação política, qualidade que salta aos olhos no grupo do prefeito de Salvador, todo esforço pode se tornar infrutífero.
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