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terça-feira, 24 de março de 2015

BRASIL

 Fiquei lá no morre ou não morre, diz delator da Lava Jato

Foto: Divulgação
Ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa
Era dezembro de 2006 quando o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, um dos personagens da Operação Lava Jato, quase morreu após uma viagem à Índia. Com malária e pneumonia, a chance de viver, segundo médicos, era de 5%. Sua sobrevivência teve um preço para o PP, partido que o colocou no cargo: dividir o setor com o PMDB. Entubado, Costa ficou 15 dias na CTI de um hospital no Rio. Passou 2 meses afastado do cargo na diretoria de Abastecimento se tratando. Período que, segundo ele, serviu para que 3 gerentes quisessem ocupar seu lugar. O relato foi gravado em vídeo pela força-tarefa da Operação Lava Jato. “Fiquei lá no morreu ou não morre. (Três gerentes) fizeram ‘N’ contatos políticos, porque tinham grande ideia que eu não ia voltar”, contou. “Nesse meio tempo, o PMDB do Senado resolveu me apoiar. Tem PMDB do Senado e tem PMDB da Câmara. Não são o mesmo PMDB.” A doença havia enfraquecido a força política de Costa na diretoria de Abastecimento. À força-tarefa da Lava Jato, ele contou que após se recuperar foi procurado pelo deputado federal Aníbal Gomes (PMDB-CE), enviado pelo senador Renan Calheiros (PMDB-AL). “O contato do senador Renan Calheiros que esteve comigo na Petrobras aqui no Rio de Janeiro e esteve comigo na Petrobras em Brasília foi o deputado Aníbal Gomes. Ele pediu uma audiência”, disse. “Os contatos que eu tive com os senadores do PMDB foi mais com o Renan Calheiros e com o Romero Jucá.” A sustentação política de Costa na diretoria de Abastecimento foi mantida pelo PMDB. Segundo ele, houve reuniões e jantares no 2º trimestre de 2007, na casa de Renan em Brasília, para tratar, primeiramente, da manutenção de Costa no setor e, depois, para falar de obras da estatal petrolífera.
Julia Affonso, Beatriz Bulla, Ricardo Brandt e Fausto Macedo, Agência Estado

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